“Ainda estou no processo de descobrir que tipo de fotógrafo eu sou”

Por Maria Eduarda Costa

É da janela, admirando as belezas naturais do bairro de Laranjeiras, Zona Sul do Rio de Janeiro, com o olhar de quem reconhece a real beleza das coisas que, Caiuá Franco, um jovem de 29 anos, volta ao passado e conta sua história. Cresceu cercado por bons sentimentos e os cultivando, assim, o resultado não poderia ser outro. Tornou-se um homem que transborda amor tanto pela fotografia, quanto pela vida. Hoje, depois de muita determinação, chegou ao lugar que diversos fotógrafos almejam. “As realizações estão vindo aos poucos e com muito esforço, como sempre foram as coisas para mim”, diz ele.

 A fotografia, de alguma forma, sempre esteve presente em sua vida. Seu bisavô fotografava com uma Roleiflex, e sua avó herdou a mesma paixão. Em sua infância, observava seu pai fazendo fotos da família e, na casa da mesma avó, vivenciou, através dos livros (Xingu – Mauren Bissiliat, Mar de Dentro – Araquem Alcântara, Terra – Sebastião Salgado e Amazônia o povo das águas – Pedro Martinelli), o primeiro contato com grandes nomes da fotografia brasileira. Ambas as experiências – familiar e de absorção de conhecimento – despertaram o seu interesse, aumentado em 2001, quando foi presenteado pelo seu pai com uma Nikon FM3A (câmera totalmente manual, a qual teria que aprender a manusear).

 Necessidade de mudança

O ex-estudante de Relações Internacionais da Universidade Cândido Mendes conta de forma consciente que, em 2009 quando largou a faculdade, sentia uma necessidade imensa de mudança. Decidiu ir trabalhar como mensageiro no Copacabana Palace até entender qual rumo daria em sua vida. Aos poucos, foi percebendo que a fotografia era opção profissional, muito além do hobby. Ao mesmo tempo em que largou a faculdade, voltou a fotografar.

Foi nesse momento que decidiu ir morar em São Paulo, e logo conseguiu uma entrevista de trabalho com o grande fotógrafo Bob Wolfenson. A partir daí, todo aquele desejo de mudança se tornava cada vez mais próximo. Uma nova cidade, um novo trabalho e o mais importante: poderia respirar fotografia 24hs por dia. O mundo começava a se abrir em diversas possibilidades.
Era junho de 2010, a chance de ser assistente de um fotógrafo que admirava se tornava palpável, porém, teria que esperar seis meses até um integrante da equipe sair. Durante esse tempo, trabalhou de garçom e fez fotos de eventos e festas para a Vogue, mas sempre que possível ligava para os assistentes do estúdio e ia até lá, para ver uma sessão de fotos que estava acontecendo ou só para bater um papo. Também durante esses tempo aproveitou para se jogar em São Paulo e conhecer a cidade mais profundamente.

Grandes Mestres

“Eu sabia que o trabalho com Bob não seria fácil. E foi muito mais difícil do que eu imaginava. É um mundo de muita exigência, muito trabalho, disciplina e responsabilidades. Era um universo totalmente novo”. Uma experiência diferente de tudo que já tinha vivenciado, mas que assumiu com maestria. Encontrou-se nesse universo e ficou cada vez mais imerso, o que fez com que, aos poucos, fosse deixando de ser apenas o assistente e fosse se tornando fotógrafo. De forma humilde e serena, Caiuá expressa à gratidão por Bob e a todos que fizeram parte da equipe no tempo em que passou por lá.

Procurando sempre adquirir conhecimento, ele também trabalhou como assistente do renomado fotógrafo Paulo Vainer, em uma fase de sua vida onde se encontrava mais experiente e com o desejo cada vez mais forte de realizar seus projetos. Sobre as suas primeiras experiências como assistente, ele diz: “Foram bem distintas e se complementaram na minha formação. Tanto porque são fotógrafos muito diferentes entre si, quanto por causa do papel que eu desempenhei com cada um deles”.

Próprios Projetos

“É uma coisa que sempre esteve comigo. Sempre tive vontade de ser o fotógrafo, mas sei também da importância de se ter grandes mestres com quem aprender. Quando senti que estava chegando a hora de mudar o jogo, naturalmente veio a proposta da TV Globo. E lá, pude começar a me tornar o fotógrafo, e não mais o assistente… As realizações estão vindo aos poucos e cada etapa tem sido muito importante nesse processo profissional. As conquistas sao brevemente apreciadas,  pois sempre há muito o que fazer. Para tudo, tenho que reunir e empenhar muita energia e sei que estou no processo, inclusive, de descobrir que fotógrafo eu sou”, diz ele.

TV Globo

Hoje trabalhando na TV Globo, Caiuá tem a oportunidade de mostrar seu talento e participar de grandes produções, como a minissérie Ligações Perigosas, onde viajou junto com a equipe para a Patagônia (Argentina) e Uruguai. Nesta produção pôde dar seu tom ao trabalho, principalmente nos retratos que fez, valorizando assim cada vez mais sua fotografia.

Já na novela Velho Chico, firmou uma parceria com o diretor Luiz Fernando Carvalho, onde pôde viajar dois meses pelo Nordeste do Brasil profundo, conhecendo e vivenciando diversas culturas. O convívio e as experiências adquiridas durante a viagem foram capazes de revolucionar seu trabalho, tornando-o mais conhecido. Em seu tom percebe – se o quanto ele é apaixonado pelo Brasil e pela fotografia, e o prazer que tem de unir os dois. Seja num retrato, num instante da vida ou numa paisagem. A oportunidade de exteriorizar sua identidade na fotografia é única, e vê-las rodando o mundo é uma sensação indizível para todos que tem o prazer de apreciá-las.

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Caiuá fala livremente do imenso amor e admiração que tem pela família e a importância deles em sua vida. A contemplação e relação profunda com a natureza existem desde a sua infância, o que possibilita vivenciar e admirar lugares e culturas diversas, proporcionando trocas e experiências únicas. Aberto a oportunidades e não somente em busca de planejamento profissional, ele vive o momento presente, sempre focado em seu desejo de se tornar um fotógrafo que retrata o Brasil em sua imensa diversidade e riqueza. “O que mais amo na fotografia é o momento, o instante decisivo. Não somente a foto, mas o ato de fotografar. Claro que se busca o resultado, mas para mim, momento é o ápice”

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